DRE – Demonstração de Resultado do Exercício

Por 26 de março, 2020 março 27th, 2020 Artigos

Olá Leitores!!

Quero abordar hoje um assunto muito importante para a gestão, é uma ferramenta fundamental  para analise, acompanhamento, e tomada de decisão nas empresas. A demonstração do resultado do exercício (DRE) é um demonstrativo de caráter obrigatório que traz o resultado econômico da empresa de forma vertical, porem a analise pode ser feita tanto verticalmente como horizontalmente, deduzindo custos e despesas, de modo que no final apresente o resultado da empresa, isto é, se a empresa apresentou lucro ou prejuízo em um determinado período, normalmente fechado mensalmente. A DRE inclusive apresenta separadamente o que é operacional e o que não é operacional, desta forma, possível observar o resultado financeiro isoladamente, para melhor analise. Eventos de caráter extraordinário também são separados.

Conceito

Para Marion (1998 p 81) A demonstração de resultado do exercício é um resumo ordenado das receitas e despesas da empresa em determinado período, normalmente 12 meses, mês a mês. É representada de forma dedutiva (vertical), ou seja, das receitas subtraem-se as despesas e em seguida, indica-se o resultado (lucro ou prejuízo). De acordo com Matarazzo (1998 p 47) A DRE retrata apenas o fluxo econômico e não o fluxo monetário (fluxo do dinheiro). Para a demonstração do resultado não importa se uma receita ou uma despesa tem reflexos em dinheiro, basta apenas que afete o patrimônio liquido. Como as modificações no patrimônio líquido produzidas por receitas e despesas afetam a riqueza dos proprietários, elas são retratadas na demonstração do resultado que é uma peça de caráter eminentemente econômico (relacionado a riqueza) e não financeiro (relacionado a dinheiro). Ou seja, fazer gestão por competência e não por fluxo de caixa, são analises bem distintas que podem ser complementares nos indicadores de gestão.

Importante ressaltar que estas despesas são agrupadas em subgrupos, chamadas de contas e contas contábeis e compõe o plano de contas. Que as empresas estruturam de acordo com sua realidade, estratégia e utilização.

Como fazer a DRE

Primeiramente a empresa deve ter um processo bem estruturado no departamento financeiro como, contas a pagar e contas a receber, que irão abastecer os dados para a montagem da DRE. Toda a movimentação de recebimento e pagamento dentro do exercício deve ser classificada no plano de contas e lançado para a estruturação, assim como ter o devido cuidado em registrar bem as observações para futuras identificações. Na sequência, é feito a compilação de valores de mesma conta e lançado na DRE conforme organizado no plano de contas definido. Por ultimo é interessante colocar percentuais em cada conta lançada e nos tópicos para análise vertical e horizontal conforme necessidade do gestor.

EBITDA

Os Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização ou LAJIDA (em inglês: earnings before interest, taxes, depreciation and amortization ou EBITDA) é um termo muito utilizado por analistas financeiros na análise de balanço de contabilidade de empresas de capital aberto.

Segundo Carlos Alberto Debastiani e Felipe Augusto Russo, “Avaliando Empresas, Investindo em Ações”,(2008),para se chegar ao Ebitda de uma empresa ou empresas, é preciso utilizar a seguinte conta: lucro bruto (gerado pelos ativos operacionais) menos as despesas operacionais, excluindo-se destas a depreciação e as amortizações do período e os juros.

Dessa forma, é possível avaliar o lucro referente apenas ao negócio, descontando qualquer ganho financeiro (derivativos, alugueis ou outras rendas que a empresa possa ter gerado no período). São também retirados para a apuração do Ebitda os juros dos empréstimos que muitas vezes as empresas contratam para alavancar as suas operações, sendo assim, é importante ter em conta que o Ebitda pode dar uma falsa perspectiva sobre a efetiva liquidez da empresa.

Essa “purificação” dos números que representam o lucro da empresa vai além da retirada dos acréscimos referentes à rendas acessórias ou amortizações. No entanto, o Ebitda nada diz sobre a qualidade dos lucros. Esse indicador é capaz de retirar, também, distorções referentes à maior ou menor incidência de impostos, decorrentes de incentivos ou majorações fiscais, razão pela qual é muito utilizado para comparar empresas de setores ou portes distintos, ou ainda aquelas que residem em países diferentes, cuja carga tributária possa divergir bastante.

Por eliminar os efeitos dos financiamentos e das decisões meramente contabilísticas, a sua utilização pode fornecer uma boa análise comparativa, pois mede a produtividade e a eficiência do negócio. Como percentual de vendas pode ser utilizado para identificar empresas que sejam mais eficientes dentro de um segmento de mercado. Tem como função, também, determinar a capacidade de geração de caixa operacional da empresa.

No Balanço Funcional equivale ao Lucro Operacional. O Ebitda é um indicador relevante e importante, mas o conhecimento e compreensão das suas limitações, nas análises e avaliações de empresas, a importância da utilização de outros indicadores tradicionais que também estejam presentes.

Com o amadurecimento e construção da DRE, o gestor poderá ao longo do ano fazer projeções e analises trimestral, semestral e por fim anual. Os quais vão servir de base para a construção do orçamento do ano seguinte, onde será possível analisar não só as contas realizadas, mas também comparar com a projeção prevista, melhorando assim o atingimento das metas planejadas em planejamento estratégico.

Para exemplificar um pouco Segue abaixo um exemplo de DRE  – Estrutura da Demonstração da Receita Líquida

Demonstração do Resultado do Exercício

RECEITA LÍQUIDA

(-) Custo dos produtos vendidos ou serviços prestados

= RESULTADO BRUTO

(-] DESPESAS OPERACIONAIS

(-) Despesas de vendas

(-) Despesas Administrativas

(+) Receitas Financeiras

(-) Despesas Financeiras

(-) Outras Receitas e Despesas Operacionais

= RESULTADO OPERACIONAL  –  EBITDA

(-) Provisão para IR e Contribuição Social

= RESULTADO LÍQUIDO ANTES DAS PARTICIPAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES

(-) Participações

(-) Contribuições

= LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO

(=) Juros sobre capital Próprio

= LUCRO LÍQUIDO POR AÇÃO

 

Rafael A. Marchiorato
Administrador, Consultor e Professor
Marchiorato Consultoria em Gestão.

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